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Inteligência Artificial

Brasil tem 27% de usuários de IA no grupo de fronteira

Levantamento da Microsoft mostra que o país tem mais usuários avançados de IA que a média dos dez mercados pesquisados.

Publicado em · 6 min de leitura
Brasil tem 27% de usuários de IA no grupo de fronteira
Foto: Senado Federal / Flickr (CC BY 2.0) (arquivo)

Resumo da notícia

  • A Microsoft diz que 27% dos usuários brasileiros de IA já usam a tecnologia em tarefas complexas.
  • A média dos dez países analisados ficou em 16%, segundo o Work Trend Index 2026.
  • O estudo mostra distância entre a velocidade de adaptação dos trabalhadores e a das empresas.
  • A pesquisa ouviu 20 mil trabalhadores e também analisou sinais de uso do Microsoft 365.

O Brasil aparece entre os países que mais avançaram no uso profissional de inteligência artificial. No Work Trend Index 2026, da Microsoft, 27% dos usuários brasileiros de IA já entram no grupo classificado como profissionais de fronteira, acima da média dos dez países analisados.

O que a Microsoft mediu no levantamento

A pesquisa ouviu 20 mil trabalhadores que usam IA em países como Estados Unidos, Japão, Índia, Reino Unido, Alemanha, França e Brasil. Além das entrevistas, a empresa analisou sinais de uso de ferramentas da própria Microsoft para entender como a tecnologia já aparece na rotina de trabalho.

A classificação de profissional de fronteira não se limita a quem usa um chatbot com frequência. O critério alcança quem emprega agentes de IA em tarefas com várias etapas, redesenha processos para aproveitar a tecnologia e cria formas de uso que podem ser repetidas por outras pessoas da equipe.

Na prática, esse tipo de uso desloca parte do esforço operacional para a tecnologia. Com isso, o trabalhador tende a concentrar mais tempo em análise, revisão, decisão e definição de prioridades.

Por que o índice brasileiro chama atenção

O dado brasileiro supera a média de 16% registrada entre os países pesquisados. Isso sugere uma adoção mais rápida de práticas ligadas a automação de etapas e a agentes de IA, especialmente em ambientes em que a tecnologia já deixou de ser só ferramenta de apoio para textos.

O estudo também mostra que o avanço não depende apenas de acesso à ferramenta. Há um grupo de profissionais no país que experimenta novas formas de executar tarefas, combina sistemas diferentes e organiza rotinas próprias para aproveitar melhor a inteligência artificial.

Como a IA já muda o conteúdo do trabalho

Segundo a Microsoft, 58% dos usuários de IA ouvidos na pesquisa afirmam que hoje produzem trabalhos que não conseguiriam fazer um ano atrás. Entre os profissionais de fronteira, essa fatia chega a 80%, o que reforça a ideia de que a tecnologia já altera o conteúdo das atividades e não só a velocidade de resposta.

No caso brasileiro, 72% dos usuários dizem realizar tarefas que não faziam há um ano por causa da IA. O número indica que a mudança já alcança o dia a dia de trabalho em ritmo perceptível para boa parte dos profissionais.

Esse movimento ajuda a explicar por que o tema ganhou urgência dentro das empresas. A IA passa a interferir em entregas, fluxos internos e critérios de qualidade, o que exige mais atenção à revisão do que foi produzido com apoio da tecnologia.

Onde está o descompasso entre pessoas e empresas

A Microsoft aponta uma diferença entre a adaptação dos funcionários e a das organizações. Para a empresa, fatores ligados à estrutura, como cultura, apoio dos gestores e políticas internas, respondem por 67% da influência sobre o impacto percebido da IA. Aspectos individuais, como comportamento e mentalidade, somam 32%.

Isso significa que saber usar a ferramenta pode não ser suficiente se a companhia não ajustar processo, regra e forma de gestão. Há profissionais prontos para operar soluções mais sofisticadas, mas que ainda encontram rotinas pouco flexíveis ou falta de apoio para incorporar a tecnologia ao trabalho.

O levantamento mostra também que apenas 19% dos usuários de IA estão no que a Microsoft chama de fronteira, quando capacidade individual e preparo da organização avançam ao mesmo tempo. Outros 10% têm conhecimento elevado, mas trabalham em empresas pouco preparadas para aproveitar esse potencial.

O que a análise do Copilot revela

Uma análise de mais de 100 mil interações com o Microsoft 365 Copilot indica que 49% das conversas envolvem atividades cognitivas, como análise de informações, solução de problemas e avaliação de alternativas. O dado ajuda a mostrar que o uso sofisticado da IA já alcança tarefas ligadas a conhecimento e julgamento.

Esse é um ponto central do estudo. A automação deixa de ficar restrita a tarefas repetitivas e passa a influenciar etapas que antes dependiam quase totalmente da intervenção humana. Ainda assim, a decisão final continua sob responsabilidade da pessoa que usa a tecnologia.

Na prática, isso amplia a necessidade de controle de qualidade e de pensamento crítico. Quando a IA participa da triagem, da comparação de dados ou da elaboração de respostas, o processo precisa prever revisão antes da entrega final.

O que muda para empresas e equipes

O relatório da Microsoft indica que o ganho de produtividade não vem só da instalação de ferramentas novas. Ele depende da forma como a empresa reorganiza fluxos, distribui responsabilidades e define critérios para avaliar o trabalho feito com ajuda da IA.

A companhia que apenas adiciona software a uma rotina antiga tende a extrair menos benefício do que aquela que redesenha o trabalho em torno da colaboração entre pessoas e sistemas. Nesse modelo, a tecnologia deixa de ser acessório e passa a fazer parte da estrutura da operação.

O próprio estudo sustenta essa leitura ao apontar que a combinação entre preparo da equipe e preparação da organização é decisiva. Quando os dois lados avançam juntos, a adoção ganha mais consistência e a tecnologia tende a entrar de forma mais profunda no cotidiano corporativo.

Como a urgência aparece no Brasil

Os dados mostram uma percepção forte de mudança no país. A tecnologia já alterou as tarefas de muitos usuários e, ao mesmo tempo, ainda encontra barreiras dentro das empresas. Isso cria pressão sobre gestores, áreas de treinamento e equipes que precisam aprender rápido sem perder controle sobre o resultado.

O grupo de profissionais de fronteira pode servir como referência interna para outras áreas. Ele mostra que a adoção madura não depende apenas de curiosidade individual, mas de método, clareza de processo e espaço para testar formas diferentes de trabalhar.

Para a Microsoft, as empresas que mais avançarem serão as capazes de redesenhar o trabalho em torno da colaboração entre pessoas e IA, em vez de apenas somar novas ferramentas à rotina já existente. O foco deixa de ser o uso isolado e passa a ser a reorganização do processo inteiro.

Perguntas frequentes sobre o uso de IA no trabalho

O que a Microsoft chama de profissionais de fronteira?
São usuários que vão além do uso básico e aplicam IA em tarefas complexas, com vários passos e mudanças na própria forma de trabalhar.

Esse grupo usa só chatbot?
Não. O critério inclui agentes de IA, redesenho de processos e práticas que podem ser reproduzidas por outras pessoas da equipe.

O Brasil ficou acima da média dos países analisados?
Sim. A fatia brasileira de usuários avançados ficou acima da média registrada no conjunto pesquisado pela Microsoft.

O estudo mostra substituição total do trabalho humano?
Não. O material aponta colaboração entre pessoas e sistemas, com a decisão final continuando sob responsabilidade humana.

Qual é o principal desafio para as empresas?
Ajustar cultura, apoio da liderança, políticas internas e processos para que a IA gere ganho real de produtividade.

O que muda para o trabalhador?
A IA tira parte do trabalho operacional e amplia a exigência por análise, revisão e checagem do que foi produzido.

Perguntas frequentes

O que a Microsoft chama de profissionais de fronteira?

São usuários que vão além do uso básico e aplicam IA em tarefas complexas, com vários passos e mudanças na própria forma de trabalhar.

Esse grupo usa só chatbot?

Não. O critério inclui agentes de IA, redesenho de processos e práticas que podem ser reproduzidas por outras pessoas da equipe.

O Brasil ficou acima da média dos países analisados?

Sim. A fatia brasileira de usuários avançados ficou acima da média registrada no conjunto pesquisado pela Microsoft.

O estudo mostra substituição total do trabalho humano?

Não. O material aponta colaboração entre pessoas e sistemas, com a decisão final continuando sob responsabilidade humana.

Qual é o principal desafio para as empresas?

Ajustar cultura, apoio da liderança, políticas internas e processos para que a IA gere ganho real de produtividade.

O que muda para o trabalhador?

A IA tira parte do trabalho operacional e amplia a exigência por análise, revisão e checagem do que foi produzido.

Fontes: VEJA · Exame · Valor Investe.

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