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Saúde

Brasil pode ganhar mais de R$ 1 trilhão com saúde até 2050

Recorte brasileiro do McKinsey Health Institute projeta menos mortes prematuras, mais anos de vida saudável e retorno econômico com investimentos focados em prevenção e tratamento.

Publicado em · 6 min de leitura
Brasil pode ganhar mais de R$ 1 trilhão com saúde até 2050
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Resumo da notícia

  • O estudo estima menos mortes prematuras e mais anos de vida saudável no Brasil até 2050.
  • A pesquisa defende que o dinheiro seja aplicado em ações comprovadas e custo-efetivas.
  • A maior parte do impacto vem da prevenção, muitas vezes fora das unidades de saúde.
  • O relatório também compara o Brasil e a América Latina com países de alta renda.

Um aumento direcionado dos investimentos em saúde pode evitar 739 mil mortes prematuras no Brasil até 2050 e elevar o PIB em mais de R$ 1 trilhão, segundo recorte nacional da pesquisa A saúde das nações: saúde mais forte, economias mais fortes, do McKinsey Health Institute.

O que o estudo analisou

A pesquisa cruzou cerca de 300 intervenções de saúde baseadas em evidências e consideradas custo-efetivas. O conjunto reúne medidas ligadas a 90 doenças e 27 fatores de risco, com ações de prevenção, diagnóstico, tratamento e proteção da população.

Entre os exemplos citados estão a taxação de produtos nocivos, a proteção de trabalhadores expostos a poluentes, a vacinação com alta cobertura e os exames preventivos no público-alvo. Também entram cirurgias feitas no prazo adequado e a incorporação gradual de medicamentos mais avançados.

Por que não basta investir mais

De acordo com Brad Herbig, diretor de dados de Saúde do instituto, ampliar o orçamento sem direcionamento não resolve o problema. O executivo defende que os recursos sejam aplicados em medidas com comprovação científica e melhor retorno pelo menor custo possível.

Ele também afirma que as evidências precisam orientar os espaços onde as decisões são tomadas. Para o diretor, comunicar com clareza quais ações funcionam é parte central do processo.

Como isso pode mudar a vida no Brasil

No cenário projetado, a expectativa de vida no país pode subir cinco anos e alcançar 85 anos. O tempo médio de vida com boa saúde também avançaria para 76 anos, o que representa mais anos com autonomia e menos limitação por doença.

O estudo calcula ainda que cada dólar investido em ações efetivas de saúde no Brasil tende a adicionar 2,1 ao PIB. A explicação principal está na melhora da produtividade, na queda de mortes entre pessoas mais jovens e na redução do adoecimento ao longo da vida.

Onde está o maior impacto

Segundo a pesquisa, 59% do efeito total no Brasil vem da prevenção, em nível populacional ou individual. Muitas dessas ações não dependem de unidades de saúde, o que amplia o papel de escolas, empresas, governos e outras instituições.

Entre as medidas com maior peso geral, o relatório cita políticas fiscais e financeiras para desestimular o consumo de álcool, tabaco e alimentos ultraprocessados. Em nível individual, aparecem ações de prevenção cardiovascular, como o acompanhamento da pressão arterial, além do controle do peso com dieta e atividade física e da oferta de medicamentos para emagrecimento.

Nas medidas terapêuticas, o estudo aponta como mais relevantes o tratamento adequado do câncer, a oferta de remédios psiquiátricos e melhorias em equipamentos e insumos médicos. Brad Herbig diz que parte dessas intervenções tem resultado de longo prazo, mas algumas podem gerar efeito imediato, como diagnóstico precoce e acesso rápido aos tratamentos mais efetivos.

O que o relatório mostra para a América Latina

Os países da América Latina investem, em média, 3,7% do PIB em saúde, abaixo do patamar de 7,9% dos países de alta renda. Além disso, menos de 5% desses recursos são destinados à prevenção, área que responde por 61% das medidas capazes de reduzir mortes e adoecimento.

O relatório alerta que o tempo vivido com problemas de saúde continua subindo na região e pode passar de 12 anos em 2050 sem as intervenções recomendadas. O instituto chama essa diferença entre viver mais e viver melhor de um débito de saúde que pressiona a economia.

Quais doenças podem cair mais

As projeções apontam redução dos anos perdidos por doenças respiratórias crônicas e distúrbios de saúde mental, com queda de 46%. Também são esperadas diminuições de pelo menos 40% nas doenças cardiovasculares e nas causadas por deficiências nutricionais.

O levantamento prevê ainda queda de 39% nas perdas ligadas ao abuso de substâncias e de 35% nas relacionadas a diabetes e doenças renais. O estudo considera, nessas contas, mortes prematuras e incapacidade.

O papel das mudanças climáticas

As projeções já incluem o efeito esperado das mudanças climáticas sobre a saúde. O texto do relatório observa que extremos de temperatura funcionam como fator de risco para algumas doenças e podem agravar outras.

Herbig afirma que a adoção de medidas como o controle da qualidade do ar pode amortecer parte desses danos. Para ele, políticas públicas nessa área impactam hoje e também em cenários futuros.

Por que o tema importa para políticas públicas

O estudo foi apresentado nesta terça-feira, em um encontro de jornalistas da América Latina promovido pela Roche, em San José, na Costa Rica. O evento teve como eixo central a ideia de saúde como investimento.

A pesquisa reforça que escolhas orçamentárias em saúde não afetam apenas hospitais e postos. Elas influenciam produtividade, longevidade, capacidade de estudo, organização familiar e competitividade econômica.

Ao relacionar prevenção, tratamento e crescimento do PIB, o relatório tenta mostrar que os ganhos sanitários e econômicos caminham juntos. O recado principal é que os países podem perder menos vidas e, ao mesmo tempo, fortalecer sua economia se priorizarem intervenções comprovadas.

O que isso significa para o leitor

Na prática, o estudo não descreve uma solução única, mas um conjunto de medidas que exigem coordenação entre governo, serviços de saúde e outras áreas da sociedade. O foco está em reduzir fatores de risco antes que eles se tornem doença e em garantir tratamento no momento certo.

Como se trata de uma projeção de longo prazo, a aplicação depende de decisões públicas e da capacidade de organizar prioridades. Em casos de dúvidas sobre prevenção, exames ou tratamento, a orientação é procurar um profissional de saúde ou um serviço adequado da rede pública ou privada.

Saúde como investimento, não só como gasto

O relatório sustenta que investir em saúde melhora a competitividade econômica e produz efeitos sociais amplos. A lógica apresentada é simples: quando a população adoece menos, trabalha melhor, estuda mais e depende menos de cuidados prolongados.

Essa leitura coloca a prevenção no centro da estratégia. Em vez de agir apenas quando a doença já está instalada, a pesquisa defende políticas capazes de reduzir risco, ampliar diagnóstico precoce e dar acesso mais rápido ao cuidado efetivo.

Com isso, o estudo tenta recolocar a saúde no debate econômico. A mensagem é que, quando o investimento é bem direcionado, o retorno pode aparecer em vida, produtividade e contas públicas.

Perguntas frequentes

O que o estudo propõe?
A pesquisa defende investimentos direcionados em ações comprovadamente eficazes, com prioridade para prevenção, diagnóstico e tratamento que tragam mais resultado por real aplicado.

Esse resultado depende só dos hospitais?
Não. O relatório diz que boa parte do impacto vem de medidas fora das unidades de saúde, como políticas públicas, ambientes de trabalho e ações de prevenção.

O estudo fala em quais áreas de doença?
Ele reúne intervenções ligadas a doenças crônicas, saúde mental, câncer, diabetes, problemas cardiovasculares, respiratórios e outras condições associadas a fatores de risco evitáveis.

Essas projeções já valem para o país?
Ainda são estimativas condicionadas à adoção das medidas recomendadas. O cenário depende de decisões de política pública e da forma como os recursos forem aplicados.

Quem apresentou a pesquisa?
O levantamento foi apresentado em um encontro de jornalistas latino-americanos promovido pela Roche, na Costa Rica, com participação do McKinsey Health Institute.

Perguntas frequentes

O que o estudo propõe?

A pesquisa defende investimentos direcionados em ações comprovadamente eficazes, com prioridade para prevenção, diagnóstico e tratamento que tragam mais resultado por real aplicado.

Esse resultado depende só dos hospitais?

Não. O relatório diz que boa parte do impacto vem de medidas fora das unidades de saúde, como políticas públicas, ambientes de trabalho e ações de prevenção.

O estudo fala em quais áreas de doença?

Ele reúne intervenções ligadas a doenças crônicas, saúde mental, câncer, diabetes, problemas cardiovasculares, respiratórios e outras condições associadas a fatores de risco evitáveis.

Essas projeções já valem para o país?

Ainda são estimativas condicionadas à adoção das medidas recomendadas. O cenário depende de decisões de política pública e da forma como os recursos forem aplicados.

Quem apresentou a pesquisa?

O levantamento foi apresentado em um encontro de jornalistas latino-americanos promovido pela Roche, na Costa Rica, com participação do McKinsey Health Institute.

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