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Agro

El Niño leva Goiás à seca mais crítica entre novembro e janeiro

Embrapa prevê seca, chuva irregular e calor acima da média no estado, com risco maior entre novembro de 2026 e janeiro de 2027.

Publicado em · 8 min de leitura
El Niño leva Goiás à seca mais crítica entre novembro e janeiro
Foto: Tiago Firmino Boaven… / Wikimedia Commons (CC BY 3.0)

Resumo da notícia

  • A Embrapa inclui Goiás entre os estados do Centro-Oeste com maior chance de seca e atraso das chuvas.
  • Soja, milho, algodão e pecuária exigem ajustes no calendário, nas cultivares e no manejo das pastagens.
  • A recomendação central é usar o Zarc, proteger o solo e planejar a água com antecedência.
  • O efeito do fenômeno não será igual em todo o país e pode variar até dentro do mesmo estado.

O El Niño 2026/2027 deve apertar o clima em Goiás, com mais chance de seca, chuva mal distribuída e temperaturas acima da média. A Embrapa reuniu orientações para reduzir perdas em lavouras, pastagens e rebanhos.

Goiás entra no grupo mais exposto à seca

No Centro-Oeste, a leitura da Embrapa coloca Goiás, Mato Grosso e o Distrito Federal entre as áreas com maior probabilidade de falta de chuva. Em sentido oposto, o sul de Mato Grosso do Sul tende a ter cenário mais úmido.

O ponto de atenção para o produtor goiano é a combinação de atraso na regularização das precipitações, primavera irregular e veranicos no verão. Quando a chuva demora para firmar, a janela de semeadura perde segurança e a lavoura inicia o ciclo com menos água disponível.

A projeção mais sensível para a seca recai sobre o período que vai do fim da primavera ao começo do verão. Nesse intervalo, a oferta de umidade pode cair justamente nas fases em que a soja e outras culturas de verão precisam de mais estabilidade climática.

O que a Embrapa recomenda para soja e milho

Para soja e milho, a primeira orientação é respeitar o Zoneamento Agrícola de Risco Climático, o Zarc. A ferramenta ajuda a indicar o momento mais adequado para o plantio e reduz a exposição a perdas por atraso de chuva ou excesso de calor.

A Embrapa também recomenda escolher cultivares mais adaptadas ao déficit hídrico e ao aumento da temperatura, além de escalonar a semeadura. Com isso, o produtor não concentra todo o risco em uma única data e consegue diluir a chance de perda.

Outra medida importante é manter o solo coberto. A cobertura reduz a evaporação, ajuda na conservação da umidade e melhora a proteção contra a erosão em períodos de chuva irregular.

Se o plantio da soja atrasar além do planejado, a recomendação é reavaliar a segunda safra. Em vez de insistir em uma cultura mais cara e arriscada, a orientação é considerar opções de menor custo e risco, como sorgo ou milheto.

Algodão de segunda safra pede mais cautela

Em Goiás e Mato Grosso, a Embrapa chama atenção para os impactos sobre culturas implantadas depois da soja. O algodão segunda safra é uma das principais preocupações, porque a janela mais tardia aumenta a chance de a planta enfrentar calor e falta de água em fases decisivas.

Nesse caso, a orientação é evitar semeadura tardia e priorizar cultivares mais precoces conforme o calendário avança. O objetivo é reduzir a exposição ao estresse climático no trecho final do ciclo.

Como o risco não é igual de um ano para outro, a decisão precisa considerar o comportamento real das chuvas, e não apenas a data habitual da propriedade. A lógica é simples, plantar tarde demais em um ano com começo de estação irregular amplia a vulnerabilidade do sistema.

Pecuária deve ajustar lotação e reserva de forragem

Na pecuária, o foco está na pressão sobre as pastagens. A Embrapa orienta ajustar a lotação dos animais à capacidade da área, guardar reserva de forragem e garantir água e sombra para o rebanho.

Essas medidas ganham importância porque a pastagem responde pior quando falta chuva e sobra calor. Se o produtor mantém muitos animais em uma área sem recuperação adequada, o risco de degradação aumenta e a oferta de alimento cai mais rápido.

O pesquisador Rodrigo Garcia, da Embrapa Agropecuária Oeste, avalia que investimentos em tecnologia e práticas conservacionistas ajudam a aumentar a resiliência do sistema produtivo diante de desafios climáticos que tendem a se repetir.

Na prática, isso significa combinar manejo mais cuidadoso com proteção do solo e escolha de materiais genéticos mais adequados ao ambiente local. A adaptação não depende de uma única ação, mas de um pacote de decisões alinhadas ao clima.

O risco no Centro-Oeste não é igual em toda a região

Mesmo dentro do Centro-Oeste, a Embrapa destaca diferenças importantes. Enquanto Goiás aparece mais exposto à seca, outras áreas podem ter comportamento distinto, com maior disponibilidade de chuva. Isso obriga o produtor a olhar a própria realidade, e não apenas a previsão regional geral.

O texto técnico também aponta atraso e irregularidade das precipitações durante a primavera, seguido por chuva abaixo da média, veranicos e ondas de calor no verão. Esse conjunto afeta tanto a implantação da safra de verão quanto o desempenho das culturas de segunda safra.

Quando a chuva chega fora de hora, a conta do produtor muda. A semeadura perde ritmo, a lavoura enfrenta mais estresse e a janela para replanejar fica menor.

Nordeste, Norte e Sudeste enfrentam riscos diferentes

Fora do Centro-Oeste, os efeitos do El Niño também variam bastante. No Semiárido, a preocupação é com calor mais alto, mudança na distribuição das chuvas e maior demanda por água. As culturas de sequeiro e as pastagens estão entre as atividades mais expostas.

Na Região Norte, a perspectiva é de menos chuva, atraso na regularização da estação chuvosa e queda no nível dos rios. Esse quadro pode atingir agropecuária, navegação, transporte e abastecimento, com impacto adicional em áreas de várzea e em cadeias que dependem da circulação fluvial.

Em Roraima, a Embrapa registra que o déficit de chuva coincidiu com o período de enchimento dos grãos e estima perdas entre 30% e 50% na safra de 2026. Já no Amazonas, a vazante dos rios pode prejudicar o transporte de insumos e alimentos, além da pesca e da aquicultura.

No Sudeste, o cenário é misto. Há áreas com chuva acima da média e outras com déficit hídrico, mesmo dentro do mesmo estado. As temperaturas, no entanto, devem ficar acima da média em toda a região, o que aumenta evaporação, perda de umidade do solo e estresse térmico em lavouras e rebanhos.

O Sul deve enfrentar excesso de chuva

Na Região Sul, o problema tende a ser o oposto. O El Niño favorece chuvas mais intensas e concentradas, o que eleva o risco de encharcamento, erosão e perda de nutrientes. Também dificulta semeadura, aplicação de insumos e colheita.

Com mais nuvens e menos radiação solar, o desenvolvimento das plantas pode perder ritmo, especialmente no enchimento dos grãos. A umidade elevada ainda cria ambiente favorável ao avanço de doenças nas lavouras.

Entre as culturas mais expostas estão trigo, arroz irrigado, soja, milho, frutas de clima temperado e hortaliças. Para soja e milho, a recomendação é manter o solo protegido, ajustar a densidade de semeadura, reforçar o monitoramento fitossanitário e assegurar drenagem superficial eficiente.

No caso do trigo e de outros cereais de inverno, a Embrapa sugere cultivares mais resistentes a doenças e ao acamamento, além de semeadura escalonada e planejamento antecipado para colheita, secagem e armazenamento.

As medidas foram organizadas para orientar decisões no campo

As recomendações ampliam 163 medidas elaboradas pelo grupo de trabalho sobre o El Niño criado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, com participação de cerca de 50 profissionais da Embrapa e especialistas do Instituto Nacional de Meteorologia.

O objetivo é transformar a previsão climática em decisão prática. Isso inclui o momento de plantar, a escolha da cultura, a proteção do solo, a gestão da água e o ajuste da criação animal.

Na visão da Embrapa, o produtor que se antecipa tem mais condições de atravessar um ciclo climático adverso sem comprometer tanto a renda e a estabilidade da propriedade.

Perguntas frequentes sobre o El Niño em Goiás

Goiás está entre os estados mais expostos ao fenômeno?

Sim. A Embrapa inclui Goiás entre as áreas do Centro-Oeste com maior probabilidade de seca no próximo ciclo do El Niño.

Qual é a principal preocupação para o produtor goiano?

O maior risco é a irregularidade das chuvas, que pode atrasar a semeadura e reduzir a segurança da safra de verão.

O que muda para soja, milho e algodão?

A orientação é ajustar calendário, escolher cultivares mais adaptadas e avaliar alternativas de menor risco se houver atraso no plantio.

Como fica a pecuária nesse cenário?

A recomendação é controlar a lotação, formar reserva de forragem e garantir água e sombra aos animais.

O risco climático é igual em todo o Brasil?

Não. O Sul tende a lidar com excesso de chuva, enquanto Centro-Oeste, Norte, Nordeste e parte do Sudeste enfrentam mais calor e falta de água.

Qual é a medida mais básica para reduzir perdas?

Manter o solo coberto. Isso ajuda a conservar umidade, reduzir erosão e dar mais proteção à lavoura.

Por que o Zarc aparece em quase todas as orientações?

Porque ele ajuda a definir a melhor janela de plantio para cada cultura e reduz a exposição ao risco climático.

Perguntas frequentes

Goiás está entre os estados mais expostos ao fenômeno?

Sim. A Embrapa inclui Goiás entre as áreas do Centro-Oeste com maior probabilidade de seca no próximo ciclo do El Niño.

Qual é a principal preocupação para o produtor goiano?

O maior risco é a irregularidade das chuvas, que pode atrasar a semeadura e reduzir a segurança da safra de verão.

O que muda para soja, milho e algodão?

A orientação é ajustar calendário, escolher cultivares mais adaptadas e avaliar alternativas de menor risco se houver atraso no plantio.

Como fica a pecuária nesse cenário?

A recomendação é controlar a lotação, formar reserva de forragem e garantir água e sombra aos animais.

O risco climático é igual em todo o Brasil?

Não. O Sul tende a lidar com excesso de chuva, enquanto Centro-Oeste, Norte, Nordeste e parte do Sudeste enfrentam mais calor e falta de água.

Qual é a medida mais básica para reduzir perdas?

Manter o solo coberto. Isso ajuda a conservar umidade, reduzir erosão e dar mais proteção à lavoura.

Por que o Zarc aparece em quase todas as orientações?

Porque ele ajuda a definir a melhor janela de plantio para cada cultura e reduz a exposição ao risco climático.

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