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Goiás

Goiás tem 20% dos diagnosticados fora de tratamento regular

Cabotegravir de longa duração pode entrar no SUS e ampliar a prevenção em um Estado com adesão irregular ao tratamento.

Publicado em · Atualizado em · 7 min de leitura
Goiás tem 20% dos diagnosticados fora de tratamento regular
Imagem ilustrativa

Resumo da notícia

  • A Conitec recomendou a incorporação do cabotegravir de longa duração ao SUS.
  • Goiás tem 29.503 pessoas vivendo com HIV/Aids e 20% fora do tratamento regular.
  • A oferta pública deve começar de forma gradual e focada em grupos de maior vulnerabilidade.
  • A rede estadual já conta com 26 unidades credenciadas para dispensação da prevenção oral.

Goiás se prepara para ampliar a prevenção ao HIV com a possível chegada da PrEP injetável ao Sistema Único de Saúde. A recomendação favorável da Conitec para incorporar o cabotegravir de longa duração ao SUS ocorre em um Estado que reúne 29.503 pessoas vivendo com HIV/Aids e 20% dos diagnosticados fora do tratamento regular.

Como funciona a PrEP injetável

A nova modalidade usa cabotegravir, vendido como Apretude pela GSK/ViiV Healthcare. Diferente da PrEP oral diária, oferecida no SUS desde 2018 com tenofovir e entricitabina, a versão injetável é aplicada por via intramuscular profunda e tem ação prolongada no organismo.

O esquema inicial prevê duas aplicações com intervalo de um mês. Depois, a manutenção passa a ser feita com uma injeção a cada dois meses, o que reduz a necessidade de rotina diária com comprimidos.

O que a tecnologia faz no organismo

O cabotegravir é um antirretroviral inibidor da integrase. Essa classe bloqueia uma enzima usada pelo HIV para inserir o material genético no DNA das células humanas, o que impede a replicação viral antes do estabelecimento da infecção.

Estudos clínicos internacionais citados na fonte apontam proteção superior a 99% com o medicamento injetável. Em pesquisas de vida real, a taxa anual de infecção entre usuários acompanhados foi de 0,1%.

Quem pode ser priorizado no SUS

Segundo a avaliação do SUS, o público prioritário inclui homens que fazem sexo com homens, pessoas trans, travestis e jovens de 15 a 30 anos em situação de vulnerabilidade. O acesso deve ocorrer de forma gradual, com foco em grupos considerados de maior risco.

A mudança pode ser especialmente útil para quem tem dificuldade de manter a adesão ao uso oral. Esquecimento, rotina irregular, efeitos colaterais renais e receio de guardar os frascos em casa por causa do estigma social entram entre os fatores ligados à interrupção da prevenção diária.

Por que a adesão preocupa em Goiás

Dados do Ministério da Saúde mostram que 55% dos usuários no Brasil abandonam a PrEP oral. Entre jovens com menos de 18 anos, o índice chega a 68%, o que ajuda a explicar a aposta em uma estratégia menos dependente do comprimido diário.

Em Goiás, a situação é ainda mais sensível porque 20% das pessoas diagnosticadas com HIV não estão em tratamento regular. Desse grupo, 5% não têm vínculo com serviços de saúde e 15% abandonaram ou nunca iniciaram a medicação.

O cenário epidemiológico no Estado

Segundo a Secretaria de Estado da Saúde de Goiás e o Boletim Epidemiológico, o Estado registra 29.503 pessoas vivendo com HIV/Aids. No período de 2015 a 2025, foram contabilizados 25.100 casos em adultos, com 18.654 novos diagnósticos de infecção pelo HIV e 6.446 casos que evoluíram para Aids.

Em 2024, o Ministério da Saúde contabilizou 1.397 novos casos de HIV em Goiás, com taxa de detecção de 19,0 casos por 100 mil habitantes. No mesmo ano, foram registrados 1.153 casos de Aids, com taxa de 15,7 por 100 mil habitantes.

Em 2023, as taxas eram de 19,8 e 17,6 por 100 mil habitantes, respectivamente. Até setembro de 2025, os dados preliminares apontavam 1.074 casos de HIV e 760 de Aids no Estado.

Como está a mortalidade e a transmissão vertical

O coeficiente de mortalidade por Aids caiu de 5,0 óbitos por 100 mil habitantes em 2015 para 3,7 em 2024. Ao longo de 2024, foram registradas 247 mortes. Outros recortes do Estado apontam coeficiente de 4,3 óbitos por 100 mil habitantes no mesmo período.

Em relação à transmissão vertical, Goiás registrou 153 notificações de crianças expostas ao HIV durante a gestação ou o parto em 2024. Desde 2015, foram acumulados 1.343 casos notificados.

Onde a rede pública já atende

Atualmente, Goiás conta com 26 unidades do SUS credenciadas para dispensação de PrEP, distribuídas por 21 municípios. Entre os pontos de atendimento estão o Hospital Estadual de Doenças Tropicais Dr. Anuar Auad, o Hospital das Clínicas da UFG e unidades especializadas de Aparecida de Goiânia, Anápolis, Rio Verde, Jataí, Catalão, Itumbiara, Formosa e Águas Lindas de Goiás.

Na distribuição territorial, a Região de Saúde Central, liderada por Goiânia, concentra o maior volume de registros, com mais de 10 mil casos nos mapas epidemiológicos. Também apresentam alta densidade de notificações as regiões Centro Sul, Pirineus, Sudoeste I, Entorno Sul e Sul do Estado.

O que mudou na rede de Goiânia

Em Goiânia, a rede especializada passou por mudanças estruturais. O Centro de Referência em Diagnóstico e Terapêutica teve as atividades desmobilizadas após o acúmulo de uma dívida de R$ 1,7 milhão.

Os serviços do Serviço de Atendimento Especializado e do Centro de Testagem e Aconselhamento foram transferidos para o Centro de Saúde Cidade Jardim. Recentemente, a oferta de PrEP na Capital também foi ampliada para o Cais Jardim Novo Mundo.

Quando o medicamento pode chegar ao SUS

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou o medicamento em 2023, mas, até agora, o acesso estava restrito ao mercado privado, com custo em torno de R$ 4 mil por dose. A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS já emitiu recomendação preliminar favorável.

O processo passou por consulta pública, já concluída, e o Ministério da Saúde projeta a disponibilização inicial ainda neste ano. O governo prioriza o cabotegravir no orçamento público enquanto outras tecnologias seguem em negociação ou desenvolvimento.

Outras tecnologias em avaliação

No cenário internacional, uma opção em avaliação é o lenacapavir, desenvolvido pela Gilead, com aplicação injetável a cada seis meses. As negociações para a entrada do medicamento no Brasil enfrentam entraves relacionados ao custo exigido pela farmacêutica.

Também está em desenvolvimento o Alimatravir, da MSD, um comprimido de administração mensal que interrompe a transmissão uma hora após a ingestão.

Para Carlos Antônio, nome fictício de 27 anos que usa a PrEP oral há cerca de dois anos, a versão injetável seria mais prática. Ele diz que às vezes esquece o comprimido e vê vantagem em evitar o frasco em casa, já que a aplicação a cada dois meses facilitaria a rotina.

Perguntas frequentes sobre a PrEP injetável em Goiás

Quem pode ser priorizado no SUS?
Homens que fazem sexo com homens, pessoas trans, travestis e jovens de 15 a 30 anos em situação de vulnerabilidade aparecem como público prioritário na avaliação.

Como o cabotegravir age na prevenção?
Ele bloqueia a integrase, enzima que o HIV usa para inserir seu material genético nas células humanas. Com isso, o vírus não consegue se replicar e estabelecer a infecção.

A PrEP injetável já está disponível no SUS?
Ainda não de forma ampla. A Conitec deu recomendação favorável e o Ministério da Saúde projeta início de oferta ainda neste ano, de maneira gradual.

Onde a prevenção já é ofertada em Goiás?
Há 26 unidades credenciadas para dispensação de PrEP em 21 municípios, incluindo serviços de Goiânia, Aparecida de Goiânia, Anápolis, Rio Verde, Jataí, Catalão, Itumbiara, Formosa e Águas Lindas de Goiás.

Por que a modalidade pode ajudar na adesão?
Porque reduz a dependência do comprimido diário. Para parte dos usuários, isso pode facilitar a rotina e diminuir a chance de abandono do cuidado.

O acesso privado já existia antes da possível entrada no SUS?
Sim. Antes da incorporação pública, o medicamento estava restrito ao mercado privado e tinha custo em torno de R$ 4 mil por dose.

O que indica a situação epidemiológica de Goiás?
Os dados mostram manutenção de casos novos, presença de notificações em várias regiões e mortalidade ainda relevante, o que reforça a necessidade de ampliar prevenção e tratamento.

Perguntas frequentes

Quem pode ser priorizado no SUS?

Homens que fazem sexo com homens, pessoas trans, travestis e jovens de 15 a 30 anos em situação de vulnerabilidade aparecem como público prioritário na avaliação.

Como o cabotegravir age na prevenção?

Ele bloqueia a integrase, enzima que o HIV usa para inserir seu material genético nas células humanas. Com isso, o vírus não consegue se replicar e estabelecer a infecção.

A PrEP injetável já está disponível no SUS?

Ainda não de forma ampla. A Conitec deu recomendação favorável e o Ministério da Saúde projeta início de oferta ainda neste ano, de maneira gradual.

Onde a prevenção já é ofertada em Goiás?

Há 26 unidades credenciadas para dispensação de PrEP em 21 municípios, incluindo serviços de Goiânia, Aparecida de Goiânia, Anápolis, Rio Verde, Jataí, Catalão, Itumbiara, Formosa e Águas Lindas de Goiás.

Por que a modalidade pode ajudar na adesão?

Porque reduz a dependência do comprimido diário. Para parte dos usuários, isso pode facilitar a rotina e diminuir a chance de abandono do cuidado.

O acesso privado já existia antes da possível entrada no SUS?

Sim. Antes da incorporação pública, o medicamento estava restrito ao mercado privado e tinha custo em torno de R$ 4 mil por dose.

O que indica a situação epidemiológica de Goiás?

Os dados mostram manutenção de casos novos, presença de notificações em várias regiões e mortalidade ainda relevante, o que reforça a necessidade de ampliar prevenção e tratamento.

Com informações de O Hoje.

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