Hemobrás recebe R$ 50 milhões para novo laboratório em Goiana
Pacote do Ministério da Saúde reúne parcerias, obra industrial e reforço à Hemorrede para ampliar a produção de hemoderivados.
Resumo da notícia
- O Ministério da Saúde e a Hemobrás anunciaram parcerias e investimentos para ampliar a produção nacional de medicamentos de alta complexidade.
- A estatal fechou cooperação com a Beijing Tiantan e com a Roche, além de acordo científico com a UFMG para terapia gênica.
- O Novo PAC destinou R$ 50 milhões para um novo laboratório em Goiana, e a fábrica já soma R$ 850 milhões em aportes desde 2025.
- A Hemorrede recebeu nova portaria de incentivo, após recorde de 217,7 mil litros de plasma recolhidos em 2025.
O Ministério da Saúde e a Hemobrás anunciaram nesta sexta-feira, 2 de outubro, um pacote de parcerias, investimentos e medidas operacionais para ampliar a produção nacional de medicamentos de alta complexidade e reduzir a dependência externa do SUS.
O que entra no pacote anunciado
As iniciativas reúnem cooperação internacional, acordo científico, reforço industrial e incentivo à rede pública de hemoterapia. O conjunto mira principalmente imunoglobulina, hemoderivados e terapias para hemofilias.
Segundo o ministério, a estratégia combina transferência de tecnologia, expansão da capacidade fabril e fortalecimento da cadeia do plasma para dar mais segurança ao abastecimento da rede pública.
Parceria com indústria chinesa
A Hemobrás assinou uma Carta de Intenções com a Beijing Tiantan Biological Products para ampliar o fornecimento e a transferência de tecnologia de Imunoglobulina Humana 10%.
De acordo com a estatal, a parceria busca acelerar a atualização tecnológica da planta fabril em Goiana, em Pernambuco, e reforçar a capacidade de atendimento à demanda nacional com maior eficiência e qualidade.
O modelo foi apresentado com base no mecanismo de compensação tecnológica em saúde previsto na Lei nº 15.471/2026. A previsão é que a Hemobrás atenda 70% da demanda do SUS quando alcançar capacidade de processamento de 700 mil litros de plasma por ano, etapa estimada para 2033. A Tiantan ficará com a transferência de tecnologia e com o fornecimento complementar dos 30% restantes.
Como a cooperação com a Roche foi estruturada
Outra frente anunciada envolve a multinacional suíça Roche, por meio de Protocolo de Intenções e Acordo de Parceria para estruturar e submeter a proposta de Parceria para o Desenvolvimento Produtivo do Emicizumabe.
O medicamento é voltado ao tratamento profilático de pessoas com hemofilia A. O Ministério da Saúde informa que 12.151 pessoas vivem com a condição no Brasil.
A proposta prevê transferência de tecnologia completa e internalização de competências, com foco em ampliar o acesso pelo SUS e reduzir a dependência externa. A iniciativa também deve complementar o portfólio de biofármacos da estatal, que já inclui o Fator VIII recombinante distribuído a partir do complexo industrial da Hemobrás, em Goiana, na Zona da Mata Norte de Pernambuco.
Projeto nacional de terapia gênica
No campo científico, a estatal assinou acordo de cooperação com a FarmaVax, centro de pesquisa e inovação da Universidade Federal de Minas Gerais, com apoio de gestão da Fundep, recursos da EMBRAPII e do Ministério da Saúde.
O objetivo é desenvolver a primeira estratégia nacional de terapia gênica para Hemofilia A e B até a prova de conceito pré-clínica avançada.
O projeto tem investimento total de mais de R$ 4,9 milhões. Desse valor, 52,71% vêm de investimento financeiro direto da Hemobrás, 33,29% são recursos não reembolsáveis da EMBRAPII e 14% correspondem à contrapartida da UFMG/FarmaVax. O acordo ainda garante titularidade conjunta das novas tecnologias e dá à Hemobrás preferência para licenciamento exclusivo dos resultados.
Novo laboratório em Goiana
O pacote também inclui aporte de R$ 50 milhões do Novo Programa de Aceleração do Crescimento para a criação do Laboratório de Pesquisa e Desenvolvimento Industrial na fábrica da estatal em Goiana.
Os recursos serão usados na adequação de uma área de 612 metros quadrados já existente no parque fabril, além da compra e instalação de equipamentos para preparação de soluções, cultivo celular, purificação, fracionamento de plasma e biologia molecular.
A expectativa é que as obras comecem na transição entre o fim de 2026 e o início de 2027. A integralização de capital está prevista para ocorrer ainda em 2026.
Expansão industrial já em curso
Os investimentos do Novo PAC também sustentam outras fases da expansão da fábrica. Desde 2025, o programa acumula R$ 850 milhões aportados na planta de Goiana.
Desse total, cerca de R$ 150 milhões estão sendo executados em 2026 para viabilizar a Fase VII, dedicada à implantação da primeira linha própria de produção de Imunoglobulina líquida da estatal.
Essa etapa envolve 104 equipamentos encomendados sob medida para o complexo industrial. Até agora, 47 já foram entregues, 20 estão em construção e os demais seguem em fase final de aprovação de projeto.
Portaria para a Hemorrede Nacional
Para garantir a matéria-prima usada na produção nacional de medicamentos para imunodeficiências, hemofilias e distúrbios de coagulação, o Ministério da Saúde assinou uma portaria de incentivo e apoio técnico e financeiro à Hemorrede Nacional.
A rede pública reúne serviços qualificados de hemoterapia em todo o país. A portaria estabelece diretrizes para aperfeiçoar a coleta, a qualificação, o processamento, o controle de qualidade e o armazenamento do plasma excedente das doações de sangue, que é recolhido pela estatal e transformado em hemoderivados para o SUS.
Segundo a Hemobrás, essa operação recolheu 217,7 mil litros de plasma em 2025, o maior volume já registrado pela empresa. A estatal também informou que o resultado representa crescimento de 8,7% em relação ao ano anterior.
Reforço logístico e inspeções na rede
O apoio à Hemorrede conta ainda com R$ 116 milhões do Novo PAC destinados à distribuição de 604 equipamentos da cadeia do frio a 125 serviços de hemoterapia.
Além disso, um programa de auditorias realizou 28 inspeções de qualificação e requalificação no primeiro semestre de 2026, segundo o material divulgado pelo governo federal.
A combinação de investimentos busca manter o fluxo de plasma e dar suporte à estrutura que abastece os hemoderivados usados no SUS.
O que disse o governo
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que nenhum país pode se dizer soberano sem capacidade de produzir e garantir insumos essenciais para a própria população. Ele também disse que o Brasil precisa estar preparado para incorporar novas tecnologias com o Estado conduzindo o desenvolvimento voltado ao acesso universal à saúde.
A presidente da Hemobrás, Ana Paula Menezes, afirmou que falar em soberania na saúde é falar da empresa, citou a missão de garantir o suprimento de 100% da imunoglobulina usada pelo SUS e disse que a estatal reforça o compromisso com a autonomia do país e com a valorização da doação de sangue.
Como a Hemobrás se encaixa nessa estratégia
Criada em 2004 e sediada em Goiana, a Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia é uma estatal federal voltada a garantir insumos estratégicos ao Sistema Único de Saúde para o tratamento de imunodeficiências, hemofilias, distúrbios de coagulação e pacientes em estado grave.
O anúncio desta sexta-feira reforça o papel da estatal como eixo de produção, desenvolvimento tecnológico e articulação com a rede pública de hemoterapia.
Perguntas frequentes
O que foi anunciado pelo Ministério da Saúde e pela Hemobrás?
Um pacote de parcerias, investimentos e medidas operacionais para ampliar a produção nacional de medicamentos de alta complexidade.
Qual é o valor do novo laboratório em Goiana?
O novo Laboratório de Pesquisa e Desenvolvimento Industrial receberá R$ 50 milhões do Novo PAC.
Qual é o foco da parceria com a Beijing Tiantan?
Ampliar o fornecimento de imunoglobulina e transferir tecnologia para a planta da Hemobrás.
O que muda com o acordo sobre o Emicizumabe?
A proposta abre caminho para transferência de tecnologia e produção voltada ao SUS, com foco em hemofilia A.
Qual projeto científico será desenvolvido com a UFMG?
A primeira estratégia nacional de terapia gênica para Hemofilia A e B até a prova de conceito pré-clínica avançada.
O que faz a Hemorrede Nacional?
Ela reúne serviços públicos de hemoterapia e apoia a coleta, o processamento e o armazenamento do plasma usado na produção de hemoderivados.
Quando o novo laboratório deve começar a ser construído?
A expectativa é que as obras comecem entre o fim de 2026 e o início de 2027.
Qual foi o volume recorde de plasma recolhido pela Hemobrás?
A empresa informou 217,7 mil litros de plasma em 2025.
Perguntas frequentes
O que foi anunciado pelo Ministério da Saúde e pela Hemobrás?
Um pacote de parcerias, investimentos e medidas operacionais para ampliar a produção nacional de medicamentos de alta complexidade.
Qual é o valor do novo laboratório em Goiana?
O novo Laboratório de Pesquisa e Desenvolvimento Industrial receberá R$ 50 milhões do Novo PAC.
Qual é o foco da parceria com a Beijing Tiantan?
Ampliar o fornecimento de imunoglobulina e transferir tecnologia para a planta da Hemobrás.
O que muda com o acordo sobre o Emicizumabe?
A proposta abre caminho para transferência de tecnologia e produção voltada ao SUS, com foco em hemofilia A.
Qual projeto científico será desenvolvido com a UFMG?
A primeira estratégia nacional de terapia gênica para Hemofilia A e B até a prova de conceito pré-clínica avançada.
O que faz a Hemorrede Nacional?
Ela reúne serviços públicos de hemoterapia e apoia a coleta, o processamento e o armazenamento do plasma usado na produção de hemoderivados.
Quando o novo laboratório deve começar a ser construído?
A expectativa é que as obras comecem entre o fim de 2026 e o início de 2027.
Qual foi o volume recorde de plasma recolhido pela Hemobrás?
A empresa informou 217,7 mil litros de plasma em 2025.
Com informações de Portal Você Online.
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