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Marketing

Inflr mostra que 7 dos 9 primeiros têm licenciados

Levantamento indica que atenção infantil no YouTube se traduz em produtos físicos e exige estratégias com mais compliance e licenciamento.

Publicado em · 6 min de leitura
Inflr mostra que 7 dos 9 primeiros têm licenciados
Foto: Web Summit Rio / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Resumo da notícia

  • A Inflr mapeou 20 canais brasileiros que concentram atenção de crianças e famílias e mostrou forte presença de produtos licenciados.
  • O dado mais útil para marcas é que audiência sozinha não decide posição, porque presença comercial e catálogo pesam no Score Inflr.
  • A mudança regulatória elevou o cuidado com publicidade infantil e empurrou o mercado para criadores adultos e personagens.
  • Para varejo, licenciamento reduz risco e amplia presença da marca fora da tela, da prateleira à mochila.

Um levantamento da Inflr, divulgado às vésperas do Dia das Crianças, mostra que o marketing infantil brasileiro está cada vez mais concentrado em criadores adultos, personagens e produtos licenciados. A leitura interessa a marcas, varejistas e agências porque mistura atenção, segurança jurídica e venda direta.

O que o ranking mostra

A pesquisa reúne os 20 canais e criadores brasileiros que mais captam a atenção de crianças e famílias no vídeo online, com 706,6 milhões de inscritos e 377 bilhões de visualizações somadas. No topo aparece Enaldinho, enquanto o canal Luccas Neto é o maior em base de inscritos, com 53,6 milhões, e o destaque em audiência acumulada fica com 26,3 bilhões.

O estudo também aponta que o canal Mundo Bita soma 22,9 bilhões de visualizações e reforça a força de personagens no mesmo ambiente em que criadores de games e entretenimento disputam espaço. Entre os nomes que completam a lista estão Dudu e Carol, Rafa & Luiz, Rezendeevil, AuthenticGames, Manual do Mundo, Bolofofos, Jazzghost, Robin Hood Gamer, Jooj Natu e 3Palavrinhas.

Por que audiência não explica tudo

O principal aprendizado para quem trabalha com marca é que volume de inscritos não garante liderança comercial. O próprio levantamento mostra que um canal menor pode ficar à frente de outro maior quando combina alcance, visualizações e potencial de monetização fora da plataforma.

Essa leitura ajuda a separar vaidade de negócio. Em vez de olhar só para base de seguidores, times de marketing precisam avaliar presença recorrente, consistência de consumo, afinidade com a família e chance de gerar produtos, campanhas e distribuição em outros canais.

O peso dos produtos licenciados

Segundo a Inflr, 7 dos 9 primeiros colocados têm linha de produtos licenciados, entre brinquedos, livros e material escolar. O conjunto inclui Enaldinho, Luccas Neto, Gato Galáctico, Crescendo com Luluca, Turma da Mônica, Monica Toy e Mundo Bita.

Esse dado é central para planejamento comercial. Quando o personagem sai da tela e passa a ocupar prateleira, mochila e quarto, a relação com a audiência deixa de depender só do algoritmo e passa a ter presença física no dia a dia da criança.

Para o varejo, a vantagem está na redução de incerteza. O produto já nasce com comunidade, reconhecimento e apelo emocional, o que tende a diminuir o risco em comparação com uma aposta completamente nova.

O que muda com as regras para publicidade infantil

A análise da Inflr foi feita considerando apenas canais conduzidos por adultos e personagens de animação. A exclusão de perfis protagonizados por menores de 18 anos dialoga com o ECA Digital, Lei 15.211/2025, em vigor desde 17 de março de 2026, que passou a exigir autorização judicial para monetização de conteúdos que explorem de forma habitual a imagem de crianças e adolescentes.

Thiago Cavalcante, CEO da Inflr, afirma que a Meta passou a pedir documentação em publicações patrocinadas com menores e que a lei também veda perfis de comportamento de crianças para direcionamento de anúncios. Na prática, isso obriga marcas a tratar compliance como parte da criação, não como ajuste final.

Para equipes de marketing, a consequência é direta: o funil precisa começar com checagem jurídica, definição clara de público e escolha de parceiros que já operem em ambiente compatível com a regulação.

O que profissionais de marketing podem aprender

O primeiro aprendizado é trabalhar com dupla audiência. Conteúdos para crianças precisam falar também com os pais, porque são eles que aprovam, compram e validam a exposição da marca.

O segundo é pensar além da mídia paga. O levantamento reforça que o licenciamento ainda é uma das formas mais eficientes de transformar atenção em recorrência, seja em brinquedos, livros ou volta às aulas.

O terceiro é observar a entrada dos games como porta de aquisição. A pesquisa indica que seis criadores do Top 30 usam Minecraft e Roblox como base de conteúdo, o que mostra como universos lúdicos servem de ponte para capturar audiência e construir comunidade.

Como isso pode orientar campanhas e portfólio

Para marcas que atuam com crianças e famílias, o estudo sugere três frentes práticas. A primeira é revisar contratos e peças para garantir aderência às regras de publicidade infantil. A segunda é mapear criadores e personagens que tenham continuidade além da campanha pontual. A terceira é avaliar o licenciamento como extensão do posicionamento, não apenas como ação tática.

Também ajuda olhar para a lógica de catálogo. O mercado citado pela Inflr mostra que os licenciados foram 39% dos lançamentos de brinquedos em 2025 e devem responder por 36% dos 1.740 lançamentos previstos para 2026. Isso sinaliza uma disputa em que marca, mídia e produto passam a operar de forma integrada.

No caso de criadores, a lição é clara: depender apenas de publicidade e algoritmo ficou mais arriscado. Quem constrói franquia própria, com editorial, personagens e linha física, tende a ter mais estabilidade e mais alternativas de receita.

Como ler o dado para além do entretenimento

O ranking não fala só de audiência infantil. Ele mostra como o marketing para esse público se tornou um negócio híbrido, em que conteúdo, distribuição, proteção jurídica e produto precisam caminhar juntos.

Essa combinação favorece quem consegue unir escala e confiança. No ambiente atual, isso vale tanto para criadores quanto para marcas que desejam entrar nesse território sem depender de ações isoladas ou de atalhos de visibilidade.

O que o setor deve observar daqui para frente

O próximo passo para o mercado é medir melhor o efeito do conteúdo sobre a venda. Não basta saber quem tem mais alcance, porque o valor real está na capacidade de converter atenção em presença contínua, seja na tela, seja fora dela.

Também será importante acompanhar como plataformas, anunciantes e criadores vão adaptar processos de documentação, seleção de parceiros e criação de campanhas. Em publicidade infantil, a tendência é menos improviso e mais governança.

Perguntas frequentes

Por que esse ranking interessa a empresas?
Porque ele mostra onde está a atenção das crianças e como ela se transforma em oportunidade de mídia, produto e licenciamento.

O que mais pesa no desempenho dos canais?
O estudo combina inscritos, visualizações e potencial comercial. Isso reduz a chance de uma leitura baseada só em popularidade aparente.

Por que os produtos licenciados ganharam espaço?
Porque aproximam o personagem da rotina da família e criam receita fora da publicidade, com menor dependência de plataforma.

O que mudou para campanhas com público infantil?
As regras passaram a exigir mais controle sobre monetização e uso de imagem de menores, além de limitar segmentação comportamental.

Como uma marca pode usar esse tipo de dado?
Na escolha de parceiros, no desenho do portfólio e no planejamento jurídico da campanha, antes da compra de mídia.

Games também entram nessa lógica?
Sim. O levantamento mostra que Minecraft e Roblox funcionam como porta de entrada para vários criadores, especialmente em conteúdo de entretenimento e comunidade.

Perguntas frequentes

Por que esse ranking interessa a empresas?

Porque ele mostra onde está a atenção das crianças e como ela se transforma em oportunidade de mídia, produto e licenciamento.

O que mais pesa no desempenho dos canais?

O estudo combina inscritos, visualizações e potencial comercial. Isso reduz a chance de uma leitura baseada só em popularidade aparente.

Por que os produtos licenciados ganharam espaço?

Porque aproximam o personagem da rotina da família e criam receita fora da publicidade, com menor dependência de plataforma.

O que mudou para campanhas com público infantil?

As regras passaram a exigir mais controle sobre monetização e uso de imagem de menores, além de limitar segmentação comportamental.

Como uma marca pode usar esse tipo de dado?

Na escolha de parceiros, no desenho do portfólio e no planejamento jurídico da campanha, antes da compra de mídia.

Games também entram nessa lógica?

Sim. O levantamento mostra que Minecraft e Roblox funcionam como porta de entrada para vários criadores, especialmente em conteúdo de entretenimento e comunidade.

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