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Indústria

Indústria adota economia circular em 57% das empresas

Levantamento da CNI mostra maior adesão nas grandes companhias e aponta custo, crédito e demanda como barreiras ao avanço.

Publicado em · 4 min de leitura
Indústria adota economia circular em 57% das empresas
Foto: Governo do Estado de São Paulo / Flickr (CC BY 2.0)

Resumo da notícia

  • 57% das empresas da indústria brasileira já adotam ao menos uma prática de economia circular, segundo a CNI.
  • A adesão é maior nas grandes indústrias e menor nas pequenas, o que reforça a diferença de capacidade entre portes.
  • Redução de custos operacionais é o principal benefício esperado, citada por 40% das empresas.
  • Juros altos, falta de demanda e dificuldade para medir o retorno seguem entre as principais barreiras ao investimento.

Seis em cada dez empresas da indústria brasileira, 57%, já adotam ao menos uma prática de economia circular nos processos produtivos, segundo sondagem da CNI. O levantamento ouviu mais de 1.600 industriais em todo o País e mostra avanço maior nas grandes companhias, com 66% de adesão.

Quais setores mais adotam economia circular

Entre as médias empresas, a taxa é de 54%. Nas pequenas, cai para 43%. O estudo aponta os maiores índices nos segmentos de equipamentos de informática e eletrônicos, com 86%, produtos de borracha, com 85%, celulose e papel, com 78%, calçados, com 76%, e biocombustíveis, com 75%.

Segundo a pesquisa, a forma mais comum de circularidade é a reciclagem, adotada por 32% das empresas. Depois aparecem a logística reversa de produtos e embalagens e a incorporação de recurso reciclado ou recuperado nos produtos, ambas com 26%.

O que muda para empresas e produtores

Para a indústria, a pesquisa mostra relação direta entre circularidade e eficiência operacional. Davi Bomtempo, superintendente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, afirma que o setor enxerga a economia circular como estratégia de eficiência. Ele diz que o hiato entre grandes e pequenas empresas indica a necessidade de políticas públicas de apoio à transição tecnológica e à capacitação das cadeias menores.

No campo financeiro, 40% das empresas que adotam essas práticas apontam a redução de custos operacionais como principal benefício esperado. A melhoria da imagem corporativa aparece em seguida, com 31%, e o estímulo à inovação em produtos, processos e serviços, com 30%.

Economia circular reduz custo e depende de crédito?

O levantamento indica que, embora 40% das empresas já colham resultados financeiros, 46% ainda não sabem medir o impacto direto desses investimentos no faturamento. Para a CNI, muitos ganhos aparecem de forma indireta ou no médio e longo prazo, como eficiência no uso de recursos, redução de desperdícios e abertura de novas oportunidades de mercado.

Marcello Lira Doudement, analista de Políticas e Indústria da CNI, afirma que os dados foram organizados em três blocos: obstáculos econômicos, desafios tecnológicos e de inovação e entraves culturais. No eixo econômico, a ausência de demanda por produtos circulares e as altas taxas de juros aparecem como os maiores obstáculos, citadas por 25% das empresas, seguidas pela falta de isonomia tributária entre materiais reciclados e virgens, apontada por 23%.

Segundo Doudement, o custo do crédito é um dos principais problemas para a modernização. Sem financiamento acessível, diz ele, fica difícil para o setor produtivo assumir os custos iniciais de novas tecnologias de economia circular.

Por que a indústria pede incentivo público

No campo tecnológico, a viabilidade econômica das soluções é a principal barreira para 30% das indústrias. Entre as pequenas, a falta de mão de obra qualificada aparece como entrave interno para 21%. Já no aspecto cultural, 37% dos industriais citam o comportamento e o conhecimento do consumidor final como fator ligado à ausência de demanda, e 21% mencionam a percepção negativa sobre produtos circulares.

A pesquisa também mostra que 57% das empresas que adotam práticas circulares acreditam que elas ajudam a reduzir emissões de gases de efeito estufa. O índice é maior entre as grandes, com 64%, e menor entre as pequenas, com 46%. Setores como biocombustíveis, produtos de borracha, bebidas e celulose e papel reúnem mais de 70% das indústrias que veem relação direta entre circularidade e redução de emissões.

Para destravar o avanço do tema, o setor industrial defende atuação governamental com previsibilidade e incentivos adequados. Quase metade dos empresários pede estímulos econômicos para infraestrutura de reciclagem e logística reversa, com 47%, e para projetos de inovação em circularidade, com 46%.

Perguntas frequentes

O que é economia circular na indústria?
É o conjunto de práticas que busca recuperar valor de produtos e materiais, com reciclagem, logística reversa e uso de insumos reciclados ou recuperados.

Qual porte de empresa adota mais essas práticas?
As grandes indústrias lideram, com 66% de adesão. Entre as pequenas, o índice cai para 43%.

Qual é o principal benefício esperado pelas empresas?
A redução de custos operacionais, citada por 40% das indústrias que adotam economia circular.

O que mais impede novos investimentos?
A ausência de demanda por produtos circulares e as altas taxas de juros, além da dificuldade de medir o retorno financeiro.

Perguntas frequentes

O que é economia circular na indústria?

É o conjunto de práticas que busca recuperar valor de produtos e materiais, com reciclagem, logística reversa e uso de insumos reciclados ou recuperados.

Qual porte de empresa adota mais essas práticas?

As grandes indústrias lideram, com 66% de adesão. Entre as pequenas, o índice cai para 43%.

Qual é o principal benefício esperado pelas empresas?

A redução de custos operacionais, citada por 40% das indústrias que adotam economia circular.

O que mais impede novos investimentos?

A ausência de demanda por produtos circulares e as altas taxas de juros, além da dificuldade de medir o retorno financeiro.

Com informações de revistaanamaco.com.br.

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