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Agro

Brasil reduz importação de fertilizantes em 15,6% até setembro

Compras até setembro caíram 15,6% (≈5,26 milhões de toneladas); preço médio segue acima do verificado em 2025.

Publicado em · 7 min de leitura
Brasil reduz importação de fertilizantes em 15,6% até setembro
Foto: Cjp24 / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Resumo da notícia

  • O Brasil importou menos fertilizantes até setembro, mas o preço médio por tonelada permaneceu acima do ano passado.
  • A queda ganhou força a partir de abril e passou a atingir também as entregas ao mercado interno, segundo a Anda.
  • Goiás aparece entre os principais estados compradores, o que ajuda a dimensionar o peso do tema para o produtor local.
  • Entidades do setor dizem que custos, crédito e ritmo de compra vão pesar no abastecimento da próxima safra.

O Brasil encerrou setembro com menos importações de fertilizantes e com preço médio ainda mais alto que o de um ano antes. Para o agro, o sinal é de compra mais cautelosa, estoques sob atenção e decisão mais apertada para produtor, cooperativa e empresa do setor.

O que mudou nas compras externas

Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior, o país importou 3,10 milhões de toneladas de adubos ou fertilizantes químicos em setembro, abaixo das 4,31 milhões de toneladas registradas no mesmo mês de 2025. Em valor, as compras somaram US$ 1,17 bilhão.

A média diária também recuou. No mês, passou de 195,93 mil toneladas para 147,90 mil toneladas. A retração deixou de ser um evento isolado e se espalhou ao longo do segundo e do terceiro trimestres, depois de março ter mostrado expansão anual. A partir de abril, o movimento virou queda e se manteve por seis meses seguidos.

O volume acumulado até setembro

No acumulado de janeiro a setembro, o Brasil comprou aproximadamente 28,47 milhões de toneladas. No mesmo intervalo de 2025, foram 33,73 milhões de toneladas. A diferença mostra uma redução de 15,6% e ajuda a explicar por que o mercado passou a acompanhar com mais cuidado o ritmo de entrada de cargas nos portos.

Esse avanço menor não significa, por si só, falta de produto. O próprio material da fonte principal aponta que os estoques existentes ainda ajudavam a compensar o ritmo mais lento de entrada no país. O dado mais relevante é a mudança de comportamento das compras, que ficaram menos intensas justamente no período em que o setor costuma se organizar para as próximas aplicações.

Preço segue acima do ano passado

Mesmo com a queda no volume, o preço médio dos fertilizantes importados continuou acima do registrado no ano anterior. Em setembro, a tonelada saiu por US$ 378,89, frente a US$ 359,69 em igual mês de 2025. A alta foi de 5,33%.

O valor, no entanto, recuou em relação aos meses anteriores. Em agosto, a tonelada estava em US$ 403,20. Em junho, chegou a US$ 441,30, e em julho ficou em US$ 430,80. Para quem compra insumo com margem apertada, o comportamento indica que o custo segue sensível ao mercado internacional, ao câmbio, ao frete e à janela de contratação.

Impacto para produtores, cooperativas e empresas

A Associação Nacional para Difusão de Adubos informou que julho fechou com 3,96 milhões de toneladas entregues ao mercado brasileiro, queda de 22,3% ante igual mês de 2025. No acumulado até julho, as entregas totalizaram 22,98 milhões de toneladas. A entidade disse que o primeiro trimestre teve impulso da boa safrinha de milho, mas que o avanço da guerra no Irã arrefeceu novos negócios e começou a aparecer nas entregas a partir de maio.

Na prática, isso coloca pressão diferente sobre cada elo do agro. O produtor precisa decidir se antecipa compras para travar custo ou se espera melhor momento de preço. A cooperativa, por sua vez, trabalha com estoque, prazo de retirada e risco financeiro. Já a empresa de insumos acompanha crédito, logística e disponibilidade para não perder janela de venda em um mercado mais lento.

A Anda afirmou que o ritmo de importações, o custo dos nutrientes, o crédito e a capacidade de compra do produtor são variáveis centrais neste momento. A entidade também destacou que a segunda metade do ano costuma concentrar aceleração das compras de nitrogenados, porque esse período costuma andar junto com o planejamento das próximas safras e com aplicações no milho.

Por que o mercado olha com mais atenção os nitrogenados

Entre os nutrientes, os nitrogenados chamam mais atenção porque as importações de nitrogênio contido em ureia, sulfato de amônio e nitrato de amônio ficaram cerca de 20% abaixo do observado nos oito primeiros meses de 2025. A leitura do setor é de que essa diferença ganha peso justamente quando a demanda tende a acelerar.

O ponto sensível não está só na quantidade comprada, mas no momento em que a compra acontece. Se a demanda agrícola cresce e o desembarque fica mais lento, o mercado pode operar com menos folga de estoque. Se as cargas programadas chegarem e o produtor voltar às compras, parte da pressão tende a ser absorvida.

O material da fonte principal reforça essa avaliação ao dizer que os números de setembro, isoladamente, não permitem concluir uma mudança de abastecimento. Ainda assim, confirmam que o Brasil passou a importar menos e que a conta continua mais cara do que no ano passado.

Goiás entre os maiores compradores do país

Goiás aparece entre os principais estados nas entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro até julho. O estado somou 2,45 milhões de toneladas e ficou entre os maiores destinos do produto no país, atrás de Mato Grosso e do Paraná. Para o agro goiano, isso indica exposição direta ao comportamento de preço, crédito e prazo de contratação.

Na prática, o efeito chega antes da adubação. Cooperativas e revendas precisam planejar compra com antecedência, porque qualquer atraso na importação pode apertar a oferta na ponta. Para o produtor, a consequência mais imediata é o custo de formação de lavoura, que entra no orçamento da safra e afeta a decisão de plantio, de troca de formulação e de parcelamento do pagamento.

O peso também é logístico. Em um estado com forte presença de grãos e demanda elevada por insumos, uma redução no ritmo de entrada de fertilizantes altera a rotina de recebimento, armazenagem e distribuição. Mesmo sem falta generalizada, o mercado tende a trabalhar com menos margem para erros de planejamento.

Produção nacional e porto mais observado

A Anda também informou que a produção nacional de fertilizantes intermediários somou 517 mil toneladas em julho, com recuo de 19,9% ante julho de 2025. No acumulado de janeiro a julho, a produção chegou a 3,34 milhões de toneladas. No mesmo período, o porto de Paranaguá continuou como principal porta de entrada do insumo no país.

Outro ponto monitorado pelo setor é a oferta doméstica de matéria-prima. A entidade atribuiu parte da retração à produção de fosfatados e ao custo do enxofre, insumo usado nesse processo. Também apontou que nem toda a produção nacional foi capturada nas estatísticas, sobretudo em ureia e cloreto de potássio.

O que pode acontecer nos próximos ciclos

O conjunto dos dados sugere um mercado com demanda estrutural ainda firme, mas com compra mais seletiva. O produtor continua precisando do insumo para sustentar produtividade, só que agora com mais atenção à relação entre custo, prazo e financiamento. Esse comportamento costuma favorecer negociações antecipadas e contratos mais curtos, especialmente quando o preço internacional não abre espaço para grandes descontos.

Para empresas do agro, o cenário também exige leitura fina de caixa. Vender menos volume ao mesmo tempo em que a tonelada fica mais cara pode reduzir giro. Por outro lado, quem oferece logística, armazenagem e crédito compatíveis com a safra tende a ganhar espaço na disputa comercial. Em um mercado pressionado, previsibilidade passa a valer tanto quanto desconto.

A fonte principal afirma que os dados de setembro não apontam, por si sós, mudança definitiva no abastecimento. O que eles confirmam é uma combinação que o setor não pode ignorar: menos produto entrando no país e preço médio ainda acima do registrado no ano passado.

Perguntas frequentes

As importações de fertilizantes caíram por falta de oferta?

Os dados mostram recuo no volume importado, mas não permitem afirmar escassez generalizada. O material da fonte principal informa que havia estoques ajudando a compensar o ritmo menor de entrada.

O preço dos fertilizantes ficou mais barato no fim do trimestre?

Houve recuo em relação aos meses anteriores, mas a comparação anual segue positiva. Em setembro, a tonelada continuou acima do mesmo mês de 2025.

Goiás foi afetado por essa desaceleração?

Goiás aparece entre os maiores destinos das entregas de fertilizantes no país. Isso significa que produtores, cooperativas e revendas do estado acompanham o tema de perto, porque ele influencia custo e planejamento.

O que pesa mais na decisão de compra do produtor?

Segundo a Anda, crédito, custo dos nutrientes e capacidade de compra são fatores centrais. No campo, isso costuma definir se o produtor antecipa a compra ou espera uma condição melhor.

O mercado de fertilizantes deve mudar na próxima safra?

A entidade avalia que a redução das entregas e das importações pode exigir mais monitoramento dos estoques. O efeito final depende do ritmo de chegada das cargas e da reação das compras do produtor.

Perguntas frequentes

As importações de fertilizantes caíram por falta de oferta?

Os dados mostram recuo no volume importado, mas não permitem afirmar escassez generalizada. O material da fonte principal informa que havia estoques ajudando a compensar o ritmo menor de entrada.

O preço dos fertilizantes ficou mais barato no fim do trimestre?

Houve recuo em relação aos meses anteriores, mas a comparação anual segue positiva. Em setembro, a tonelada continuou acima do mesmo mês de 2025.

Goiás foi afetado por essa desaceleração?

Goiás aparece entre os maiores destinos das entregas de fertilizantes no país. Isso significa que produtores, cooperativas e revendas do estado acompanham o tema de perto, porque ele influencia custo e planejamento.

O que pesa mais na decisão de compra do produtor?

Segundo a Anda, crédito, custo dos nutrientes e capacidade de compra são fatores centrais. No campo, isso costuma definir se o produtor antecipa a compra ou espera uma condição melhor.

O mercado de fertilizantes deve mudar na próxima safra?

A entidade avalia que a redução das entregas e das importações pode exigir mais monitoramento dos estoques. O efeito final depende do ritmo de chegada das cargas e da reação das compras do produtor.

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