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Mercado Financeiro

JPMorgan reduz custo de capital em 1,5 p.p. e eleva Bradesco

Relatório ajusta preços-alvo e recomendações; Bradesco é promovido e Banco do Brasil rebaixado, com impacto imediato nas ações.

Publicado em · 8 min de leitura
JPMorgan reduz custo de capital em 1,5 p.p. e eleva Bradesco
Foto: Fronteira / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Resumo da notícia

  • O JP Morgan elevou Bradesco para overweight e reduziu Banco do Brasil para underweight após a disparada recente das ações financeiras.
  • A casa ajustou premissas de custo de capital e estimativas de lucro para bancos, corretoras e empresas ligadas ao mercado de capitais.
  • Bradesco e Banco do Brasil reagiram de forma oposta na Bolsa nesta terça-feira, com alta forte em um papel e queda no outro.
  • Para empresas e empresários, o recado do relatório passa pela leitura sobre juros, crédito, captação e apetite do mercado por risco.

O JP Morgan mudou a leitura sobre bancos brasileiros nesta terça-feira, 6, ao elevar Bradesco e rebaixar Banco do Brasil depois do rali recente das ações financeiras. A revisão veio com corte na premissa de custo de capital, alta de projeções para parte do setor e reação imediata dos papéis na Bolsa.

O que o banco mudou na recomendação

Na nova rodada de projeções, o Bradesco passou de neutro para overweight, termo usado pela casa para indicar exposição acima da média do mercado, equivalente à compra. Já o Banco do Brasil foi de neutro para underweight, classificação que aponta exposição abaixo do mercado, em linha com venda.

O movimento ocorre depois de uma forte alta das ações financeiras brasileiras no rali pós eleição, segundo o relatório citado pela InfoMoney. A leitura do banco é que parte relevante da valorização recente já foi precificada, mas não de forma igual entre os nomes do setor.

Na abertura do pregão, as ações responderam de forma oposta. BBDC4 subia 3,98%, a R$ 22,71, enquanto BBAS3 caía 2,28%, a R$ 25,73, às 10h20 desta terça-feira.

Por que o custo de capital mexe com os preços

Um dos pontos centrais da revisão foi a redução de aproximadamente 1,5 ponto percentual na premissa de custo de capital próprio para a maior parte das empresas cobertas. O JP Morgan associou essa mudança à queda da curva de juros brasileira de dez anos, que saiu de cerca de 14,4% para 13%.

Segundo a casa, apenas esse efeito responde por cerca de 15% a 20% dos aumentos de preços alvo que foram feitos. Na prática, o banco está dizendo que ativos mais sensíveis a juros passaram a valer mais em um ambiente de desconto menor sobre fluxos futuros.

Para o investidor, o ponto principal não é a direção isolada das ações em um pregão, mas a mensagem sobre expectativa de taxa, custo de financiamento e múltiplos. Quando o custo de capital cai, o mercado costuma aceitar pagar mais por lucros futuros, desde que a geração de resultado acompanhe a nova conta.

O que mudou para Bradesco

No caso do Bradesco, o JP Morgan subiu o preço alvo de R$ 22 para R$ 26, o que representa valorização potencial de 19% sobre o último fechamento considerado no relatório. A leitura da casa é que o papel ainda negocia abaixo do nível visto como justo, estimado em 1,5 vez o valor patrimonial, ante 1,2 vez observada no momento da análise.

O banco também avaliou que a discussão sobre capital tangível perdeu peso relativo, enquanto o plano de recuperação mostra evolução. Na avaliação dos analistas, a rentabilidade vem melhorando nos últimos trimestres com redução do custo de risco e melhora das margens.

As projeções do JP Morgan indicam ROE de 15,9% em 2026, 16,1% em 2027 e 16,8% em 2028. O lucro líquido ajustado estimado é de R$ 28,1 bilhões neste ano, R$ 30,5 bilhões em 2027 e R$ 34,8 bilhões em 2028.

Por que Banco do Brasil perdeu espaço na análise

Para o Banco do Brasil, o preço alvo subiu de R$ 22 para R$ 23, mas a recomendação caiu para underweight. Frente ao preço de R$ 26,30 usado no relatório, isso indica potencial de queda de 13%.

A casa avalia que o banco participou com força do rali recente, com valorização de cerca de 16% desde a sexta feira anterior e de 50% desde 15 de agosto. Mesmo assim, a recuperação operacional deve demorar mais, na visão dos analistas.

O relatório aponta 2027 como um ano desafiador para a instituição, com melhora esperada só em 2028. A exposição ao agronegócio também pesa nessa leitura, porque pode limitar os ganhos de um eventual ciclo de queda da Selic frente a bancos privados.

Outro ponto de pressão é a qualidade dos ativos. O JP Morgan espera que a deterioração recente da carteira do agronegócio pressione lucro, rentabilidade e distribuição de dividendos.

Impacto para empresas, empresários e produtores

Para quem depende de crédito, a mensagem mais relevante do relatório está no custo de captação e na velocidade da transmissão dos juros para as carteiras de empréstimos. Se a curva seguir mais baixa, bancos e investidores podem reprecificar risco, mas isso não significa queda imediata nas taxas de todos os contratos.

Empresas com acesso ao mercado de capitais tendem a observar de perto essa mudança, porque a melhora no ambiente de juros favorece captação, valuation e volume de emissões. O próprio banco destacou o volume excepcional de negociação no mercado à vista, de R$ 103 bilhões de ADTV, algo que reforça a importância do fluxo para corretoras, plataformas e operações de investimento.

No campo produtivo, a leitura para o agronegócio é mais sensível. O Banco do Brasil segue relevante nesse segmento e, por isso, qualquer piora na carteira rural pode encarecer crédito, apertar prazos e reduzir espaço para renegociação, mesmo sem uma mudança automática nas linhas disponíveis.

Quem mais ganhou espaço nas projeções

Entre as empresas ligadas ao mercado de capitais, o JP Morgan também elevou as estimativas de lucro para XP e B3 em 2027, além de revisar para cima BTG Pactual. A casa vê melhora de volumes, mais atividade e maior sensibilidade a juros menores nesses nomes.

Na XP, a recomendação segue overweight e o preço alvo foi elevado para US$ 38, de US$ 26. O banco avalia que o papel ainda negocia a múltiplo atrativo, com espaço para ganhos de monetização, mudança de mix e eventual geração de performance fees.

Na B3, a recomendação continuou neutra, embora o preço alvo tenha subido para R$ 24,50. A limitação, segundo os analistas, continua sendo o valuation, já que o papel negociava perto do novo alvo e ainda exigiria mais crescimento de lucro ou queda adicional do custo de capital para voltar a múltiplos mais altos.

O BTG Pactual permaneceu com overweight, mas a ação ficou mais cara após o desempenho recente. O preço alvo subiu para R$ 87, com pouco espaço adicional frente à cotação usada no relatório.

Itaú e a leitura sobre bancos grandes

O Itaú Unibanco segue como preferência entre os grandes bancos da casa. O JP Morgan manteve a visão positiva e elevou o preço alvo, citando a capacidade do banco de crescer em um cenário mais construtivo e de aproveitar uma retomada do mercado de capitais.

O relatório ainda menciona Itaúsa como forma potencialmente atraente de exposição ao banco, por conta do desconto sobre o valor dos ativos e de investimentos que podem se beneficiar de juros menores.

Esse conjunto de ajustes sugere que o banco enxerga o setor com menos uniformidade do que antes. Em vez de uma aposta genérica em bancos, a leitura ficou mais seletiva, com preferência por nomes que combinem rentabilidade, crescimento e menor risco de deterioração de ativos.

O que observar daqui para frente

Para o mercado, o ponto central agora é saber se a queda dos juros de longo prazo vai se sustentar e se o fluxo para renda variável continuará forte. Também importa acompanhar a qualidade das carteiras de crédito, especialmente onde há maior exposição ao agronegócio.

Em termos de preço de ação, a diferença entre múltiplos e fundamentos pode aumentar se os lucros não vierem na mesma velocidade da revisão de expectativa. Por isso, a leitura do relatório deve ser observada mais como uma mudança de mapa do setor do que como um sinal único para todo o mercado.

No curto prazo, a reação desta terça mostra que o investidor está precificando seletividade. Bradesco foi premiado pela revisão, Banco do Brasil perdeu fôlego e os nomes ligados ao mercado de capitais ganharam espaço na rotação de carteiras.

Em outra frente, a abertura para empresas e empresários depende menos do humor diário da Bolsa e mais da consistência dessa nova curva de juros. Se ela se mantiver, a tendência é de custo de capital menor e ambiente mais favorável para captação, expansão e renegociação.

Para o JP Morgan, o rali recente mudou o ponto de partida, mas não apagou as diferenças entre qualidade de ativos, sensibilidade aos juros e ritmo de recuperação de cada banco.

Mais cedo, a InfoMoney também destacou o movimento de revisão no setor financeiro, em linha com a leitura de que o pós eleição acelerou a reprecificação de vários nomes da Bolsa. A mudança de hoje reforça que o mercado passa a separar melhor quem já andou demais de quem ainda tem espaço para executar a tese operacional.

Quem acompanha o setor deve observar, nas próximas semanas, três frentes: evolução dos juros longos, comportamento da inadimplência no agronegócio e novas leituras sobre crescimento de lucro nos bancos e nas plataformas de investimento.

Perguntas frequentes

O JP Morgan mudou a visão sobre todos os bancos?
Ainda não. A casa ficou mais seletiva, elevando Bradesco, mantendo Itaú e BTG positivos e rebaixando o Banco do Brasil.

O que significa overweight e underweight?
Overweight indica posição acima da média do mercado, equivalente a compra. Underweight indica posição abaixo da média, equivalente a venda.

Por que o mercado reagiu nesta terça-feira?
Porque a revisão mexeu com estimativas de lucro, custo de capital e valuation, o que altera a conta de preço justo dos papéis.

O relatório muda algo para crédito de empresas?
Muda mais a expectativa do mercado sobre custo de captação e apetite ao risco do que as taxas já contratadas. O efeito prático depende da trajetória dos juros e da qualidade da carteira dos bancos.

O agronegócio pesa em qual papel?
Pesa principalmente no Banco do Brasil, segundo o JP Morgan, por causa da exposição relevante do banco ao setor e da deterioração recente da carteira rural.

Perguntas frequentes

O JP Morgan mudou a visão sobre todos os bancos?

Ainda não. A casa ficou mais seletiva, elevando Bradesco, mantendo Itaú e BTG positivos e rebaixando o Banco do Brasil.

O que significa overweight e underweight?

Overweight indica posição acima da média do mercado, equivalente a compra. Underweight indica posição abaixo da média, equivalente a venda.

Por que o mercado reagiu nesta terça-feira?

Porque a revisão mexeu com estimativas de lucro, custo de capital e valuation, o que altera a conta de preço justo dos papéis.

O relatório muda algo para crédito de empresas?

Muda mais a expectativa do mercado sobre custo de captação e apetite ao risco do que as taxas já contratadas. O efeito prático depende da trajetória dos juros e da qualidade da carteira dos bancos.

O agronegócio pesa em qual papel?

Pesa principalmente no Banco do Brasil, segundo o JP Morgan, por causa da exposição relevante do banco ao setor e da deterioração recente da carteira rural.

Fontes: InfoMoney · CNN Brasil.

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